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Um Mauro, muitas aves.
por Lauro Eduardo Bacca, naturalista, escritor e ambientalista.
“O número de espécies de aves é função quase linear da quantidade de vegetação”, ensinava o velho livro Ecologia Geral, de Roger Dajoz, dos antigos e bons tempos da graduação em História Natural, atual Biologia, na Furb e que nunca me saiu da cabeça.
Pequenos fragmentos de floresta são importantíssimos para proteger as aves. Se dispuser de outros fragmentos e árvores próximos, caso do Campus 1 da Furb, pode abrigar mais que o dobro de espécies de nossas amigas aladas, comparado com um fragmento totalmente isolado por pastagens, lavouras ou água, nos informam os sítios eletrônicos atuais.
O município de Blumenau, caso raro, possui cerca de 60 por cento de seu território coberto de florestas nativas que formam grandes maciços no entorno da área urbana, culminando com a fabulosa e grande área protegida pelo Parque Nacional da Serra do Itajaí.
Os pequenos fragmentos e matas ciliares urbanas, facilitam a mobilidade entre os grandes fragmentos mais distantes, principalmente para aves de voos curtos, garantindo a sobrevivência de um número muito maior de espécies.
Por poderem voar, as aves e os morcegos conseguem fazer o que a maioria dos mamíferos, répteis e anfíbios não conseguem, ou seja, vencer pelo ar grande parte dos obstáculos impostos pelo ser humano moderno ao deslocamento entre um ambiente natural e outro.
Podem assim exercer seu importante papel ecológico, além, claro, de amenizar a aridez urbana com sua presença, colorido e alegres cantos, cada um de acordo com sua espécie.
Onde tem aves tem vida, tem dispersão de sementes de fora para dentro do fragmento e deste para fora, ajudando assim a manter a qualidade dos ecossistemas e a biodiversidade. Tem também controle de insetos, aracnídeos, outros artrópodes e muitos outros bichos menores, como roedores, presas de gaviões e corujas.
Esta surpreendente exposição com sessenta belíssimas fotos é fruto do paciente, dedicado e admirável trabalho de MAURO SCHRAMM, de atento olhar em tantos lugares, mas, no minúsculo fragmento florestal do Campus 1 da Furb em especial. Comprova que, passados mais de sessenta anos, aquela pequena, mas lapidar frase do velho e surrado livro texto de Ecologia, continua atual.
E que tal colaborar ainda mais com a vida de nossas amigas aladas e outras espécies não aladas que sobrevivem nos campi da Furb, por meio da criação de um ou mais pequenos laguinhos artificiais naturalizados, diversificando e enriquecendo o ambiente, portanto, a vida natural desses ambientes universitários?
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